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Li as conclusões do relatório internacional sobre as competências dos alunos de 15 anos que coloca mais uma vez Portugal nos últimos lugares dos países da OCDE. Fiquei, por exemplo, a saber que o papel da família é preponderante na aprendizagem e que os filhos de famílias monoparentais tiveram índices mais baixos do que os outros, principalmente se de estatuto social baixo. Lemos assim todos ( os que compreendem o que lêem...) e ficamos a perceber melhor as causas mais profundas de muitos outros índices desastrosos da sociedade portuguesa. Como não compreender agora melhor que Portugal seja o país de maior sinistralidade rodoviária, de maior crescimento da S.I.D.A. na juventude, de menor "consumo" de livros e jornais, de maior absentismo ao trabalho, etc, etc? As escolas, apesar de todo o empenho dos seus professores, parece que já não conseguem tirar os jovens deste atoleiro de ignorância por mais reformas e esforços que façam.
Torna-se difícil trabalhar com crianças e jovens que não adquiriram qualquer tipo de motivação em casa, por viverem em meios culturalmente pobres e muitas vezes completamente entregues a si próprios. Compreende-se que no inicio da adolescência tenham dificuldade em passar, à primeira, no exame de condução porque não percebem as perguntas do teste ou o próprio conteúdo do código da estrada ; que abandonem os estudos precocemente porque não conseguem fazer o 12º ano ; que o insucesso, enfim, venha a ser a matriz de todo o seu crescimento interior. A irresponsabilidade nos comportamentos, na estrada e na vida, sobe na razão directa da frustração acumulada e o resultado espelha-se em todos os padrões civilizacionais estudados neste inquéritos. Talvez seja demasiado carregado este retrato até porque, felizmente, há bolsas de excelência, a todos os níveis, que se devem louvar e incentivar; porém uns não invalidam os outros. A educação será ainda por muitos anos uma batalha prioritária em Portugal e trava-se hoje não só dentro dos muros das escolas mas, cada vez mais, no seio dos espaços de afectos que se devem corporizar no seio da família, tenha ela a composição que tiver. Não é estigmatizando os jovens com rastreios absurdos ( da hepatite, da droga, da S.I.D.A. ) como o que pretende a juventude socialista que se modificam comportamentos e se melhoram estes índices. A repressão de condutas erradas ( na estrada, na escola, na vida íntima, etc.) tem que pressupor a compreensão dos objectivos para poder ser aceite pelos jovens. Ora o problema reside, como o demonstra o estudo, precisamente na compreensão dos conteúdos das mensagens e isto é que me parece mais preocupante. Estimular os jovens para o pensamento abstracto com a ferramenta da nossa língua e com a paciência e o afecto dos educadores, eis o grande desafio dos nossos tempos, que todos temos que travar, para que Portugal deixe, de vez, de figurar na cauda do mundo civilizado e para que o bom estudante deixe de ser apenas o filho de "boas famílias".

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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