2001 que Odisseia ? |
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O ano que está prestes a findar foi-nos "vendido" há alguns tempos atrás, através dos mais diversos meios audiovisuais, como sendo o ano da concretização de muitos dos nossos sonhos. O bem estar no planeta e a conquista do espaço seriam por fim uma realidade! Todo este fim de milénio trazia a esperança do começo de uma nova era de paz e abundância material em que o Homem, após guerras fratricidas e inúteis, teria alcançado a sabedoria suficiente para em conjunto se lançar à conquista de outras galáxias, procurando outros seres pensantes com quem pudesse dialogar e aprender. Tudo isto pressupunha que a nossa casa ou seja o nosso planeta, fosse já uma aldeia global não só pela rapidez das trocas de informações e de mercadorias mas, fundamentalmente, porque a harmonia económica e social prevalecia. Nada disto aconteceu e a ficção quedou-se mesmo em ficção... Vemos, pelo contrário, que o ano 2201 foi dos piores anos da ultima década, quer em termos de desarmonia social e económica, quer mesmo em tragédias naturais. Os desequilíbrios ecológicos e climatéricos tiveram a sua correspondência nos trágicos acontecimentos de 11 de Setembro nos Estados Unidos da América do Norte. A euforia anunciada foi substituída pela depressão generalizada e a paz duradoira pelos bombardeamentos e atentados incessantes. Conflitos de séculos ficaram por resolver e agudizam-se cada dia - a guerra espreita em cada canto da cidade ou do globo. Em Portugal começamos o ano com catástrofes naturais, nunca vistas, e acabamo-lo com um terramoto politico também inédito. Todos os indicadores apontam para uma crise económica e politica para o próximo ano e os cidadãos receosos fecham os olhos para não ver e escusam-se a participar nas transformações necessárias. Imersos no consumo ainda possível, passeiam aturdidos pelas cidades como se estas fossem enormes "Disneylandias" e esquecem as realidades velhas e caducas que se escondem por detrás das miríades de lâmpadas feéricas. Urge rebater a conhecida frase : "é preciso modificar alguma coisa para que tudo fique na mesma" com novas ideias capazes de mobilizar os homens vulgares e fazê-los acreditar que é possível alterar o seu quotidiano heróico pela sobrevivência, seja este a luta pelo pão de cada dia ou a tentativa de sair da solidão dos guetos de prosperidade. Urge pôr em questão se este modelo económico que se quer exportar para todos os cantos do planeta irá trazer, de facto, a paz universal ou se pelo contrario irá ser a guerra, a fome, a doença e a morte que vão de novo prevalecer. Não se trata de querer impor uma visão apocalíptica da realidade, trata-se de ser realista e pensar o futuro à luz dos sinais do presente. Talvez seja tempo de preparar elites, sem levantar com isto fantasmas do passado, portadoras de capacidade inovadora, de ética, de gosto pelo belo, de espiritualidade que, pela sua autoridade cientifica e moral, sejam capazes de fomentar a comunicação entre os povos e a paz interior em cada Homem. Porque as facetas mais perversas do mundo de hoje resultam fundamentalmente de conflitos por resolver dentro de cada um de nós e muito pouco do que nos é estranho e exterior. Afinal, vendo bem, é esta a única e a grande Odisseia que o ano 2001 nos trouxe para cumprir! José Dias Egipto escreve nesta coluna todas as semanas. Acrescentar como Favorito (316) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 3760
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