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Independência de Angola

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No dia 11 de Novembro Angola comemora o 26º aniversário da sua independência. Os angolanos comemoram?
Num país grande e rico os números são também impressionantes: A guerra pós-independência gerou mais de 1 milhão de mortos e 400 mil deslocados e existem 7 mil meninos soldados com menos de 18 anos a participar no conflito. Cerca de 14.000 crianças sofrem de deficiências devido à guerra. Num país onde só as receitas do petróleo se situam à volta dos 3 mil milhões de dólares anuais, 62,5% da população vive em pobreza absoluta ou relativa, 59% não tem acesso a água potável e 76% não tem acesso a cuidados médicos. A segunda pior taxa de mortalidade infantil do mundo verifica-se em Angola: 29,5% das crianças morrem antes de atingir os 5 anos de idade. Neste país que aplica 31% do PIB em gastos militares a esperança de vida é de 42 anos!
Isto são apenas alguns dos números frios e impressionantes que permitem uma pequena avaliação do estado do país e perguntar: Era esta a desejada "descolonização exemplar" que Portugal tão rapidamente fez questão de fazer? Era esta a independência que os portugueses desejavam? Era esta a independência que os angolanos almejavam? Alguém deveria ser responsabilizado por este verdadeiro genocídio? E a Comunidade Internacional não faz nada?

 

 Orlando Castro



A (In)dependência de Angola



Os números que introduzem o Café Luso desta semana são, só por si, aterradores. Como é possível? perguntam, com certeza, todos aqueles que têm memória e que não vivem (apenas) com o mal dos outros.

Tenho, contudo, dúvidas se os detentores do Poder em Angola alguma vez pensaram no significado desses números. Se o tivessem feito teriam, há muito, muito tempo, acabado com uma maldita guerra que obriga irmãos a matar irmãos.


 

 Maria Arlete Antunes



11 DE NOVEMBRO DE 1975

Aiué! Roubaram-me uma Pátria...



A mim... roubaram-me uma Pátria. Nasci lá para as bandas de São Filipe de Benguela, no meio das acácias rubras que afluíam sempre à mente dos Poetas. Vi crescer as buganvílias e tratei por tu as calemas da Praia Morena. Fui muitas vezes, lá para cima, para o Benfica que era nome de bairro onde não havia cor, porque na cidade-mãe-de-outras-cidades não havia brancos nem negros... por haveror só homens e mulheres, mulheres e homens a preocuparem-se apenas com o seu dia-a-dia. E a amarem a terra...

 Carlos Mário A. da Silva

Antes de responder objectivamente, permitam que decalque a seguinte definição de História, da autoria do Dr. John Henrik Clarke:

" A História é um relógio que as pessoas usam para saber o seu registo de tempo - político e cultural. Quem são e o que são. Acima de tudo, a história indica às pessoas para onde elas têm de ir e o que devem ser. Existe entre as pessoas e a história uma relação idêntica à que se verifica entre mãe e filho."

 Fernando Cruz Gomes

Independência... total... já!

Independência de Angola. O "11 de Novembro". Tudo datas que, para os que as viveram, não significam mais do que isso. Por todos os motivos e até por que a independência - a verdadeira independência de Angola - ainda está por fazer. Por muito que nos digam que o "11 de Novembro" foi isso mesmo, a independência... a ferocidade dos combates que se operaram logo a seguir à data, os assaltos à identidade do país, designadamente com tropas estrangeiras, e com "conselhos" estrangeiros não nos dão, de forma alguma, a ideia de que Angola é... independente.

 

 

 Maria Miguel Ferreira

O desprezo
Falar de Angola é complicado. Não sei se hei-de começar pela actual condição de país massacrado pela guerra, se remonte às origens na descolonização, se levante a questão da independência de Cabinda, do papel dos portugueses e da comunidade internacional no processo, se ataque a imprensa de todo o mundo pela falta da mediatização necessária nesta guerra ou se critique José Eduardo dos Santos pelo despesismo e atitudes passadas. Há uma série de mixed feelings sobre Angola, que vão dos fascínio à tristeza pelo povo que sofre com a guerra, a doença, e seus sucedâneos.

 

 Adelino Sá

Simplesmente Angola

Angola, é a terra onde muitos portugueses guardam as suas memórias e a consideram como a sua verdadeira pátria.
Angola, é a terra que viu nascer muitos portugueses.
Angola, é a terra que viveu uma descolonização que muitos não entenderam.
Angola é a terra que está dividida pelos interesses do petróleo e dos diamantes.
Angola, é o país que a Comunidade internacional olha serena e impávida.
Angola, é o país onde as crianças nascem quase mutiladas pelos tiros das armas e pelas minas.

 


 Cidália Cardoso

Cá estou eu atrasada mas presente, e hoje para falar sobre uma questão sensível: a vida de onze milhões de habitantes que vivem num país rico de minerais, belo em encantos naturais, e cheio de pessoas generosas.
É sobre Angola que vos falo, da jóia da coroa do império Português. Sabem, isto é tão belo que os portugues estiveram aqui quinhentos anos e ergueram este país para aqui permanecerem até à morte.

 


 

 


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