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Portugal e a "Eurolândia"

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O novo ano de 2002 entrou com uma nova moeda para 300 milhões de europeus.
Passadas duas semanas o Euro já entrou quase por completo na nossa rotina diária e estou certo que os portugueses se adaptarão completamente a esta nova realidade muito mais rapidamente do que se supunha. Fica assim provado que somos um povo capaz de todas as inovações quando estas são feitas com prudência e a devida preparação.
Muito se falou nos anos passados nos perigos do Euro para a independência dos países, dada a importância que uma moeda tem como símbolo "vivo" de uma nação. Muitos, aliás, já temem os próximos passos da União Europeia (U.E.) tais como a constituição europeia, o federalismo e o governo europeu. Penso, contudo, que a moeda única não se pode comparar às outras tentativas de uniformização europeia que estão já na forja. A Europa já era, de facto, há muito um único mercado ; o Banco Central Alemão já era há muito quem ditava as leias financeiras; os câmbios das moedas não beneficiavam ninguém e não faziam afinal muito sentido. Se esta constatação é, para mim, verdadeira já a perda de outras fatias de soberania pode não ser.
As disparidades sócio-económico-culturais entre os vários países são de tal forma grandes que os próximos passos têm que ser dados com extrema cautela. O próximo alargamento da U.E. vai contribuir para alargar ainda mais estas diferenças e vai tornar assim necessariamente cuidadosa a execução das reformas. Será talvez mais acertado começar com a uniformização progressiva das leis mais estruturantes entre os diferentes países ( justiça, fiscalidade, protecção social, imigração) e só muito depois pensar em instancias executivas supra-nacionais. Como alguém dizia a Europa tem que ser feita lentamente para poder chegar a bom porto e um bom exemplo disso é o próprio caminho encetado pelo Euro. O sentimento de pertença a uma entidade chamada Europa não se adquire rapidamente e neste aspecto a moeda única pode começar a ser um bom contributo.
O povo português com a sua capacidade de improviso e de adaptação recebeu a nova moeda sem grandes saudades do escudo mas ainda não sabe bem para que lhe serve esta mudança. Provavelmente vai percebê-lo brevemente quando a austeridade chegar e as comparações ( agora muito mais fáceis...) com os restantes países se fizerem. Nessa altura ficará a perceber que, tal como em Portugal havia uma moeda única e várias realidades em termos de desenvolvimento, no novo espaço onde esta moeda definitivamente nos inseriu, também haverá várias Europas e nós, apesar de possuidores da mesma moeda, ficaremos a ser, tão somente, os que vivem nas suas "Beiras" ou no seu "Trás-os-Montes".

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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