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Eleições a quanto obrigam.

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As perspectivas de futuro governo que as próximas eleições nos trazem deixam o cidadão comum extremamente perplexo.
A recente eleição para a presidência da Junta Metropolitana do Porto é bem demonstrativa que a alternância do poder entre os dois maiores partidos políticos portugueses pouco ou nada vem acrescentar à forma de fazer politica em Portugal. O povo português às vezes tem memória curta e seria bom que muitos comprassem os jornais diários dos meses finais do "cavaquismo" para sentirem o paralelismo das criticas com o que hoje se escreve em relação ao actual governo de Guterres. Poder-se-ia invocar que já passaram muitos anos e que uma nova geração está pronta, em ambos os partidos, para encetar novas formas de actuação, onde os critérios da competência e do rigor serão, finalmente, aqueles que, de hora avante, irão vigorar. Nada porém indicia tal facto e este episódio de luta de poder entre presidentes de câmara do mesmo partido, com futebol à mistura, só vem comprovar que mudam os intervenientes mas não mudam os processos. Triste dilema o nosso que temos, no dia 17 de Março, de escolher entre mais do mesmo ou o regresso dos mesmos que corremos há seis anos por serem já demais! A qualidade das pessoas, a sua qualificação e integridade moral escasseia por essa Europa fora - basta estar atento aos escândalos políticos em França, Alemanha e Itália que já fizeram baixas de vulto em juízes de grande qualidade e que apenas queriam cumprir a lei - e reflecte-se de forma muito particular em Portugal. A comunicação social tem alguma responsabilidade na forma como promove ou derruba governos, sem esclarecer devidamente os leitores das propostas alternativas e da sua viabilidade; principalmente perante aqueles que absorvem passivamente, por incultura politica, como verdades tudo o que lêem ou vêem nas noticias dos jornais ou da televisão. Agora mais do que nunca a sua função seria a de fazer perguntas difíceis aos candidatos a primeiro-ministro e exigir deles compromissos sérios com a nação. Compromissos objectivados em verdadeiras rupturas imprescindíveis no panorama português; se possível exigir-lhes mesmo que esclareçam quem vão ser os protagonistas que encabeçarão tais iniciativas. Esta pedagogia dos meios de comunicação social também seria muito importante e podia ser, em si mesmo, uma primeira ruptura com o passado. Porque o "sangue" tem que correr de facto na nossa arena política, doa a quem doer ; resta saber se, neste momento histórico, teremos "matadores" à altura ou apenas mais "rabejadores" de quem já estamos fartos !...

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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