Demagogia mínima garantida? |
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Estamos a semanas das eleições legislativas antecipadas. A campanha eleitoral vai começar. Pela primeira vez desde o 25 de Abril os dois líderes dos dois maiores partidos portugueses e potenciais candidatos a primeiro-ministro não são nem figuras carismáticas nem tão pouco têm dotes mediáticos que os tornem populares. São homens normais sem os atributos de imagem ou de oratória capazes de, só por si, vencerem eleições. Nesta sociedade do espectáculo os criadores de imagens e de "homens providenciais", que arquitectam as suas campanhas, estão com sérias dificuldades para lhes poder "vender" o perfil e a pose certas, perante o povo português. Restam assim, felizmente, desta vez, apenas as ideias o que só pode fortalecer a vida democrática. Temos, como nunca, a oportunidade de fazer da campanha eleitoral não um espectáculo permanente mas uma serena e séria troca de ideias para o futuro próximo de todos nós. Uma pergunta, porém, começa a levantar-se nas pessoas atentas ao fenómeno político: será que a classe jornalística estará à altura de tão nobres desígnios ou vai, por outro lado, tomar partido por uma das partes e manipular as opiniões a seu belo prazer? Pergunta pertinente e de difícil resposta quando vemos muitas vezes uma certa promiscuidade entre políticos e jornalistas. Uma coisa, porém, é certa: precisamos de bons profissionais de jornalismo ( da imprensa, da rádio e da televisão ) que aproveitem esta oportunidade única para obrigar os políticos a debater ideias e a tomar compromissos firmes e concretos com o eleitorado. Precisamos que eles lhes exijam uma campanha eleitoral limpa e frontal onde a demagogia, inevitável, seja garantida, por eles, como a mínima possível.
José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.
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