Portugal e os desafios do futuro |
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No domingo passado o povo português foi às urnas e decidiu inverter o rumo politico do país: escolheu uma viragem à direita. Cansado de muitas promessas e hesitações por parte do partido socialista, embalado pela comunicação social que apoiou declaradamente a mudança, esquecido talvez das promessas antigas de outros que também não foram cumpridas, o que é certo é que optou em liberdade e fê-lo inequivocamente. Espera agora ansiosamente que o país se coadune com o rol imenso das suas legitimas aspirações: que o ensino seja exigente e que os jovens saiam das escolas bem preparados; que o acesso aos cuidados de saúde seja melhorado e que haja médicos em todas as zonas do pais capazes de cobrir as necessidades básicas das populações; que a justiça seja célere e igualitária; que a segurança nas ruas das cidades seja assegurada e que a marginalidade decresça substancialmente; que a segurança social se estenda aos mais fracos e que as reformas subam significativamente, etc., etc. Tantas esperanças juntas vão com certeza levar muito tempo a realizar-se e à semelhança do passado vão-se esfumando no povo, com o andar do tempo, as ilusões. Seria bom que assim não fosse mas a fragilidade das politicas de hoje por esta Europa fora assim o tem demonstrado. É quase impossível governar com sucesso nesta sociedade consumista e imediatista onde o sentido do aprimoramento da vida pessoal deixou de ser, de forma quase absoluta, a raiz ou fundamento da própria vida em sociedade. Todos competem com todos por tudo e por nada, exigindo sem esforço o que não lhes é devido ou o que não lhes faz falta nenhuma. É difícil também governar numa sociedade em permanente mutação e em que os cenários sociais se transformam a um ritmo alucinante. Quem imaginaria há cinco anos que os imigrantes de leste viessem a ascender já às centenas de milhar ? Quem poderia sonhar que nos arredores de Lisboa pudessem haver autênticas cidades de maioria negra? E contudo nós todos precisamos de viver com estas realidades para mantermos os nossos padrões de consumo porque não nos sujeitamos já a viver de outra maneira. Que governo previu a escassez de técnicos da saúde e a necessidade de hoje da "importação" de milhares de médicos e de enfermeiros de Espanha? E contudo nós vamos ter que conviver com esta invasão de técnicos estrangeiros no nosso país por falta de formação atempada dos nossos jovens com o consequente desemprego e frustração dos que entretanto se vão formando. E o que pensar do que nos pode esperar, nos próximos anos, quando os fundos estruturais, vindos de Bruxelas, afrouxarem ou cessarem pura e simplesmente? São realidades e preocupações a que o próximo governo tem que responder e que serão com certeza de difícil resposta. Exigirão, com certeza, crescimento económico para aumentar a riqueza a distribuir mas também muita sensibilidade social para saber estancar os focos inevitáveis de desespero e de exclusão que as politicas de direita, neoliberais, geram por si só. Exigirão também de todos nós mais preparação, mais educação e conhecimento, porque a solução para todos os males sociais jaz - já nos foi dito desde o primórdio dos tempos - no auto-aperfeiçoamento, sem o qual não saberemos adquirir o civismo e o bom senso e assim resistir a todas as demagogias e alienações, venham elas de onde vierem. José Dias Egipto escreve nesta coluna todas as semanas. Acrescentar como Favorito (458) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 4383
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