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O país no psiquiatra, já!...

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Não há ninguém que não sinta em si mesmo e não note nos seus concidadãos que estamos todos a precisar de uma consulta urgente de psiquiatria. Bastou alguém dizer que atravessávamos uma profunda crise e que estávamos de tanga para passarmos a ver tudo negro à nossa volta e a perder a fé nas nossas qualidades. Até aqueles projectos que ainda há bem poucos meses nos levantaram a moral e que foram por nós festejados com júbilo merecido - a Expo 98, a Porto 2001, o apuramento para o Mundial de Futebol, as auto-estradas sem portagens, a reabilitação urbana das cidades do projecto Polis, o Euro 2004 - são agora encarados como autênticos pesadelos ou pesadas heranças que a contra-gosto temos que concretizar ou recordar.
Bons tempos aqueles, afinal, em que, sem querermos saber do estado das finanças, nos deleitávamos com os progressos apregoados da nação! Ele eram festas por tudo e por nada com muito fogo de artificio; ele eram as casas, os carros, as roupas de marca que todos comprávamos a crédito sem receio de não os podermos pagar; ele eram os telemóveis que dávamos aos nossos filhos adolescentes, mais as férias nas Caraíbas de prémio por terem passado; ele era a geração de ouro da selecção nacional de futebol que vencia e nos fazia vibrar de patriotismo; ele eram, por fim, as lágrimas e os berros de indignação e os abraços de regozijo que trocávamos nas ruas pela libertação de Timor envoltos nos panos brancos das nossas almas lavadas pelo sentimento do dever cumprido por um povo irmão; eles eram tantos, enfim, os motivos que pensávamos que tínhamos para sermos felizes!...
Agora dizem-nos que tudo foram quimeras que nos venderam, que o dinheiro não pode chegar para a casa, o carro, os telemóveis, as férias; que a selecção nacional é uma geração de malandros, que o Euro 2004 vai ser um cabo de trabalhos e de despesas e que temos que viver com mais impostos, com menos empregos, com a gasolina mais alta, com ministros vestidos de cinzento, com Presidentes de Câmara que falam "economês", com menos passeios e almoços ao Domingo, com a selecção nacional, afinal, a dar murros, como nós, nos ventos da desdita e da vergonha...
Um povo não pode viver no desespero e na descrença. Se vivíamos acima das nossas possibilidades, se precisamos agora de fazer sacrifícios que eles venham envoltos de esperança. Não se pode caminhar em frente sem auto-estima e com projectos fechados no presente. Ou recuperamos a alegria e a esperança de podermos de novo rir ( e consumir...) ou vamos todos, governantes e governados, parar ao divã do psiquiatra mais próximo. Mas atenção : a terapia, às vezes, tem que ser de choque!...

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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