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Sempre a meter água...

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Nos últimos dias, sem que ninguém verdadeiramente se aperceba da sua importância, a população de uma cidade portuguesa, de seu nome Leiria, está pura e simplesmente sem água potável. Não é uma aldeia qualquer perdida na montanha há vinte anos atrás; não, é um centro urbano onde vivem dezenas de milhar de pessoas em pleno século vinte e um!...
Dizem os entendidos que será a poluição da nascente de um rio que estará na origem de tal calamidade pública mas até hoje não são conhecidos os seus responsáveis. Quantos de nós já não passaram, por dever ou passeio, pelas margens, às vezes mais recônditas, dos nossos rios e já não deparou com montes de detritos industriais a boiar nas suas águas, com espumas estranhas e indiciadoras, com cheiros, enfim, abertamente pestilentos? Em plena foz do rio Douro, na sua margem direita, é frequente assistir-se a descargas poluentes para gáudio de milhares das tainhas que se acotovelam frenéticas em busca de tantomaterial orgânico putrefacto. São tantos os exemplos que passam, vezes sem conta,pelos nossos olhos que até já não lhes damos a devida importância...
Quantos colóquios e simpósios, caseiros e internacionais, já não se fizeram chamando a atenção para o bem precioso da água, a quem já chamam, com pompa,o petróleo deste novo século?! Onde estão os resultados práticos de tão doutas recomendações? Nós, em Portugal, continuámos alegremente a esbanjar ou a estragar algumas das nossas reservas deste precioso liquido, geralmente sob o olhar complacente das mais diversas autoridades. Será que agora perante este cenário medieval de uma cidade, capital de distrito, onde voltaram os aguadeiros à rua e as filas intermináveis de cântaros e garrafõesàs praças e ruas, abriremos de vez os olhos e chamaremos à responsabilidade a quem de direito ou estaremos, como até aqui,condenados a meter água constantemente em assuntos tão fundamentais para a nossa sobrevivência? Muita água, aliás, e suja, como se tem visto neste e noutros casos onde não entram rios nem cidades...

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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