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No pântano de tanga...

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Vivemos de facto num pântano. Não somente naquele a que o engenheiro Guterres se referia quando quis sair de Primeiro Ministro, mas num mais vasto no conteúdo e na geografia politica e cultural.
A nível europeu temos, a estagnar as águas, as declarações de Romano Prodi, da semana passada, dizendo que o pacto de estabilidade da União Europeia (U.E.) era estúpido - ele a quem se pedia que fosse o seu garante; a nível nacional temos, a turva-las ainda mais, a frase de Ferro Rodrigues, tantas vezes repetida pelos meios de comunicação social, referindo-se a uns palermas que seriam os seus adversários políticos - frase, aliás, que não é mais do que a versão suave de muitas outras ditas, por exemplo, por Alberto João Jardim, ao longo dos últimos anos. E temos muitas outras frases que nos revelam factos que turvam a imagem das mais altas instâncias da nossa sociedade. Umas serão verdadeiras outras falsas mas o pântano alimenta-se precisamente destas ambiguidades e confusões. São sinais que algo vai mal neste "reino" Ocidental mas até esta frase é por si só um elemento a mais na babujem das águas estagnadas!...
Resta acrescentar a tudo isto que nós, cidadãos portugueses, não somos, afinal, os únicos de tanga a acreditar no que o presidente da Comissão Europeia disse. Afinal pelas mesmas razões, a tão falada convergência nominal, estarão de tanga também a França, a Alemanha e a Itália e de uma maneira mais geral todos os países da U.E. a menos que a bitola não seja a mesma para uns e para outros. Estamos pois todos de tanga imersos no pântano o que até nos conforta quanto mais não seja por podermos ao menos poupar a "roupinha" do chamado primeiro mundo... O difícil agora é conseguir nadar e sair dele num futuro próximo e vestir uma roupa que nos dignifique. Uma coisa, porém, é certa: já não será possível sairmos de mãos limpas deste atoleiro politico e social em que se transformou o Mundo Ocidental. Saibamos, pelo menos, ter o pudor de não exibir mais a nudez das nossas ideias na praça pública nem atirar lama uns aos outros como crianças mal educadas.

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.
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