Se os pudéssemos misturar... |
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Tenho acompanhado com muito interessea discussão na especialidade do Orçamento Geral do Estado na área da cultura. As posições dos representantes dos partidos do governo tem sido confrangedora e isso levou-me a pensar no que realmente distingue, na minha opinião, os governos do Partido Socialista dos da direita, como o actual. Muitos portugueses como eu olham com certa indiferença as mudanças de ministros nas pastas da economia, finanças, desporto, justiça e outras mais, porque sabem que, salvo algumas pequenas diferenças, as políticas acabam por ser as mesmas quer esteja no poder o P.S. ou o P.S.D. Mas quando o que está em jogo é a cultura, a ciência, a educação e de uma maneira geral toda a área social, aí as diferenças começam a notar-se. A falta de preparação e de sensibilidade cultural e social são traços que verdadeiramente delimitam, hoje em dia, os governos de esquerda dos de direita por esta Europa fora. Esta característica, porém, acentua-se mais em países, como o nosso, com altas taxas de analfabetismo e iliteracia porque diminui, dramaticamente, o grau de exigência da opinião pública perante os responsáveis pelas políticas culturais, que se dão, assim, ao luxo dos maiores desaforos como os que se têm verificado na Assembleia da República. Às vezes apetece, por absurdo, desejar um governo que tivesse nas pastas mais económicas os partidos de direita e nas pastas sociais e culturais os da esquerda como se pudesse misturar a água e o azeite... É que de números percebem os primeiros e até serão capazes, não tenho dúvidas, de dar algum rigor às contas do estado que os segundos gostam tanto de desbaratar, mas à cultura são alérgicos, como sempre o foram historicamente, mesmo que no seu seio gravitem às vezes alguns homens cultos como excepção. Num país, como o nosso, onde quem decide nas áreas económicas e financeiras são os senhores de Bruxelas, só através da afirmação das nossas raízes culturais e no incentivo à fruição das artes, nos podemos afirmar verdadeiramente. Esta afirmação curiosamente já deixou, contudo, de ter qualquer significado porque passou a ser politicamente correcta e subscrita por todos os quadrantes políticos e ideológicos. O grande problema é que uns sabem o alcance do que estão a dizer e outros, infelizmente, não fazem a menor ideia!... José Dias Egipto escreve nesta coluna todas as semanas. Acrescentar como Favorito (506) | Refira este artigo no seu site | Visualizaes: 4817
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