O futuro de nós todos... |
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Numa altura em que se anuncia a primeira clonagem de um ser humano vale a pena pensar o que será a diferença de género dentro de cinquenta anos, aí pelo ano 2050. Não falo já no mundo ocidental mas sim em todo o planeta sem excepção. As transformações sócio-culturais evoluíram tanto nas ultimas décadas, comparadas com as centenas de anos anteriores, que ninguém poderá imaginar hoje o que será a estrutura da sociedade daqui a cinquenta anos. Mesmo a própria diferença biológica entre sexos poderá vir a ser posta em causa com a implementação da clonagem e de outras formas de engenharia genética. Por absurdo que pareça a diferença entre homem e mulher poderá vir a esbater-se gradualmente quando a forma natural de procriação estiver posta em causa de tal forma que qualquer ser humano possa encomendar um clone seu ou de alguém que muito ama ou quer para seu convívio. Por outro lado a invasão maciça, que se anuncia e que já se sente, do primeiro mundo por povos imigrantes do terceiro mundo vai contribuir para a miscigenação racial e cultural e para a queda de muitos tabus. O século vinte e um poderá vir a ser, então, um século de complementaridade de saberes e de culturas e de aprofundamento da democracia e da participação cívica. Os professores, por exemplo,na sua pratica pedagógica ver-se-ão confrontados com realidades sociológicas totalmente diversas das actuais e as preocupações de uma pratica pedagógica anti-classista, anti-racista e anti-sexista poderão deixar de fazer sentido porque, pura e simplesmente, deixarão de haver classes sociais, raças e atitudes como até agora. Quem diz professores poderá dizer qualquer outro grupo profissional. Deixará de haver uma dupla moral sexual para homens e para mulheres porque os géneros se confundem na medida em que o significado do par ou do casal deixa de ser heterossexual para abranger todas as combinações possíveis. Valerá mais, então, a partilha de afectos do que a de prazeres físicos egoístas pois a liberdade estará cimentada em absoluto no respeito da individualidade de cada um. A equidade entre géneros, que hoje já desponta nas sociedades mais evoluídas, trará como consequência inevitável a procura de uma qualquer comunhão espiritual. Um novo romantismo salvará então o Homem do materialismo das novas tecnologias sempre emergentes e dos novos avanços da biotecnologia. O poder económico, após a escalada neo-liberal, terá, sob pena de destruição do próprio planeta, que se submeter de novo ao poder politico, mas este terá formas novas de exercício baseadas na troca rápida da informação e no poder quase imediato de auscultação das populações e na consequente decisão maioritária. Resta saber se seremos capazes de o fazer ou se cavaremos mais fundo o fosso entre povos e pessoas. Acredito, contudo, no Homem e na sua capacidade de criar o belo e o melhor e creio que as distorções agora emergentes - pela forma desregrada, por exemplo, como a clonagem está a ser implementada - vão ser superadas a médio prazo. José Dias Egipto escreve nesta coluna todas as semanas. Acrescentar como Favorito (527) | Refira este artigo no seu site | Visualizaes: 4612
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