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"Aquela Taverna"

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Aquela tasca, aquela taverna
No canto ao fundo da nossa rua
Porta de par em par, sempre aberta
Quer houvesse Sol, quer houvesse chuva

Era ali um centro de ameno convívio
De jogo de cartas, de se entrar e beber
Onde se falava alto, se encontrava com um amigo
Se ouviam fados, se fumava com prazer

Onde se ouvia o relato de football
Com vigor e ferpas se discutia política
Onde já quente até se vinha sentar o Sol.
Onde se vinha viver, encontrar-se com a vida

Aquela tasca, aquela velha loja
De cascas de tremoço, pontas de cigarro
Onde eu criança entrava em sobressalto
Para rebuçados comprar, ou qualquer outra coisa

Ali era um centro de façanhas, falatório
De encontros, desencontros, pragas, palavrões
De amizades, negócios, vantagens, serões
Brigas e vanglórias, impudência e ócio

Quem lhe atiraria a primeira pedra?
Quem lá não entrava para provar uns copos
Petiscar ou comprar uma caixa de fósforos
Beber um café, um pirolito, quem era?

Animava a rua, dava-lhe vida e carácter
Sem ela morreria algo- nenhum assobio
Se ouviria ao passar de mulherio qualquer
Encheria a rua só o silêncio e o vazio

Fechando os olhos na geografia da alma
A avisto ali com sua porta vermelha
Onde o Sol à soleira aquecendo brilhava
- Vou daí e entro, para encontrar u’a centelha

Vem entra comigo amigo p’ra jogarmos,
A vida sem tempo num copo provarmos

Silvério Gabriel de Melo. Vogelbach, Alemanha
 
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