"Mulher de Aldeia" |
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Ia de tamancos p'ra fonte A mulher da minha terra O tempo lhe apagou o nome Mas não, nunca a graça dela Vi-a trazendo duas talhas Ligeira p'la rua abaixo Tantas, tantas madrugadas De quanta lida e cansaço De manhã de madrugada De avental, passo ligeiro Que bonita, que engraçada Que ternura no seu geito Foi um dia ainda jovem Que à fonte se veio encontrar Com aquele que foi seu homem Com quem iria casar Junto à fonte o seu primeiro Seu primeiro beijo deu Transbordava o pote cheio -Como de tudo se esqueceu Naquele momento da fonte Naquele momento de vida Embarcou e foi p'ra longe Seu coração de batida Depois entra e sai dia Trouxe um dia um filho seu Se tornou mãe a rapariga Que na fonte a talha encheu No lamento do encher de água De qualquer bilha de barro Juntou com lágrimas sua mágoa Amarga mágoa --seu fado Passaram-se anos atrás de anos Tornou-se triste, cansou-se A canção da água, seus prantos Suavizavam, calou-se Atado o seu lenço à nuca Passava como fidalga Na volta molhava a rua Ela mais sua velha talha Secou-se já essa fonte Mas não a memória dela A sua alma foi p'ra longe Mas ficou sim a história dela.
Silvério Gabriel de Melo. Vogelbach, Alemanha
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