"Onde Está o Deus Feito Homem?" |
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Estão a acimentar e a asfaltar a Terra, --Gente que estupidez! Estão a roubar a beleza que era O mundo uma vez Andam cada vez a fazer mais casas e carros Gastam e estragam tudo Todos querem mais ter, ocupados Em conseguir mais categoria e vulto Há cada vez mais poluição, mais lixo Ninguém se contenta com pouco Todos se entregam ao prazer, sem juizo Anda este mundo louco Todos se querem fazer-- ninguém Quer ser só o que é Hoje não vale a nobreza e o bem Assim o determina a ralé Assim em vez de se ir à missa Abrir-se o espirito, abrir-se os ouvidos Vai-se ao Discó com a malta em riça Dançar, beber, cegar os sentidos Anda de avesso a humanidade Com u'a cauda frontíspicial De onde lhe advém a faculdade De se provar o melhor animal Neste Natal, que presépio-- repara Dorme um feto com u'a pistola Traz uma camisa na mão, a palha São cartões de crédito e nota Tem uma televisão e um computador Ali ao seu lado por vaca e por burro A uma metralhadora por bengala, que dôr Se apoia José, absorto e confuso Cantam os anjos como Michael Jackson Um rap activo, um rap indecente Dão-se glória a si, dão glória ao homem Que mais palhaço seja, que gente É um Carnaval é que é o Natal Onde o pior faz-se pelo melhor pior A humanidade com um sorriso infernal Dorme-- parasita de si mesmo, sem amor Chegam os pastores de óculos escuros Para se não lhe verem os olhos Vermelhos, rajados de sangue, impuros Encavacados pela droga, meios mortos Vêm os reis magos de skin heads vestidos Urrando "Heil Sieg!" em bestial euforia Arremaçam cocktail monotofs , divertidos Depois sorrindo negam-no --- ninguém pia Matam as crianças todas com jogos Lindos programas interactivos Não escapa nenhum, inocentes--mortos Se ouve o "quero e dá-me já! " de filhos Estão a comprar e a vender o coração Gente, ei-lo no mercado Deitado sobre palhas de vícios, leilão "Onde está o Deus feito homem?" brado. Silvério Gabriel de Melo. Vogelbach, Alemanha |
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