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"Árvore de Natal"

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Olha ali para a janela,
Mira, que árvore divina,
Coberta de luz, que bela!
Vestida de prata fina.

É um céu posto a um cantinho,
Esta árvore de Natal
Galáxias, 'strelas fulgindo
Bela-- encanto sideral

É uma fada encantada,
Encantando o mundo assim.
É filha do Sol, sonhada,
Jóia de luz, serafim

Com seu vestido rodado,
Com seu vestido de tule
Parece cantar um fado,
Com lantejoulas de azul

Fadista da noite fria
Que tens tu para cantar?
Serena envolta em magia
Pareces mais a sonhar.

Lá no mato tu deixaste
O teu corpo, a vida deste;
Uma clareira formaste,
A luz que te fez, trouxeste

Um infante de louça dorme
Ao teus pés, tu rainha
Mata toda a sede e fome
Que divina criancinha!

Árvore de Natal enfeitada
Como tu há-de brilhar
Na noite, serena, encantada
A sua luz, seu sonhar

Pregá-lo-ão num madeiro
O erguerão qual ladrão
Será luz, Deus verdadeiro
Feito homem, nosso irmão

Ó enfeitada árvore, fadista
Linda árvore de Natal
Cheia de graça, encanto, artista
Mistério original

Silvério Gabriel de Melo. Vogelbach, Alemanha
 
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