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"Portinho"

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Sempre que vamos ao Portinho
Encontramos uma recordação:
As ondas quebram devagarinho
Como a melodia duma canção

Com a briza do ocaso no Portinho
Sentimos que a poesia nos chama
É voz do Frei Agostinho
A falar ao Sebastião da Gama

Até à Anicha vamos a nado
Como se ate ao fim da vida
Ouvindo a voz deste fado
Honramos os poetas na despedida

Sempre que vamos ao Portinho
Encontramos uma recordação
Ao longe num monte branquinho
De areia procuramos solidão

Uma alga deu à praia vinda do mar
E para evitar que a maré a levasse
Recordou-se dos poetas e pos-se a cantar
Como se o rouxinol da serra a ensinasse

Quando já tarde todos se vão embora
E nos ficamos sós na beira mar
Deixamos o tempo voar nessa hora
Admirando as estrelas a brilhar

O mar está um lençol de prata
Nunca até hoje igualado
Maravilha duma noite ignata
Mesmo ali na foz do Sado

Ai! quem me dera ser poeta
E liricamente cantar com ardor
E numa cabana já provecta
Ser abençoado pelo teu amor

Há maravilhas por esse mundo
Bem o sabemos não o ignoramos
Mas na Arrábida o sentir é profundo
Pois é ali que nos amamos

O mar está um lençol de prata
Nunca até hoje igualado
Vamos ali para o pé da mata
Porque é mais do nosso lado

Frei Agostinho eu aqui penso
Que quando falas ao Sebastião
Fazes-nos sinais com um lenço
Qual gaivota voando no verão

Portinho da Arrábida é sol nascente
De poetas pescadores e amantes
E com este ardor incandescente
Cantamos a Serra e o Mar como dantes

De Afonso Almondino da Silva in "DIASPORA" Em Toronto a 10 de Janeiro de 1989.
 
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