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vou espreitando pelas frinchas do meu mover eterno

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Come da refeição
que eu preparei
cansada
depois de um dia de trabalho
mas não me digas a delícia
que era

Passeia-te
no chão que eu varri
juntamente com as ideias
minhas
Suja os cinzeiros
que o instinto já limpa
enquanto que a preguiça
refastelada ao teu lado
te adula
provoca insolente
a minha passividade
Ouve da música
que instalo
no ar aprisionado
da casa
em Inverno que gela
as notas fugitivas
Mas não me digas
nada
e sobretudo
não me aumentes
o som
que me atormenta os ouvidos
vazios
Deita-te tardio
nos algodões brancos
que preparei,
já a pensar no sonho
Come regalado
dos meus lábios
avermelhados de febre
que não se debatem
Mas não me interrompas
o silêncio
Saboreia do meu corpo
estendido
Pisa do teu peito forte
o meu frágil
Que não te envia
portanto
o ritmado tambor
que abafo
Intoxica com o teu hálito
forte e acigarrado
o meu respirar
asfixiado
Ejacula-te
aonde quiseres,
com quem quiseres,
mas não me perguntes
se tive orgasmos
que eu entretanto vou espreitando
pelas brechas da azáfama
o sol que esqueço
que eu entretanto
vou espreitando
pelas frinchas do meu mover eterno
a neve que cai
agora enquanto
escrevo
sentirqueexisto.jpg
Diana de Moura, Halifax, Canadá

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