"Saudade" |
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Depois de tanto tempo, a saudade É uma lembança ténue, uma quimera Que no pensamento fica, feita espera De si mesma, de alguma outra realidade Já não é disto ou daquilo, é eternidade Esta saudade que nos acompanha, que se preza Nos faz olhar p’ra vida, sua natureza É o único rasto que nos ficou da felicidade Qual um vinho que nos oferece, o seu torpor Nos confunde, nos empresta uma clareza Nos rouba ela a nós mesmos com seu ardor Ah, saudade, só tu é que és Portuguesa Ilha eterna, sumida num mar de dôr Este cálice que bebo, esta tristeza
Silvério Gabriel deMelo, Vogelbach, Alemanha
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