Todos os países da lusofonia

Galeria Lusófona

Arte Lusófona
Literatura Lusófona
Sabores Lusófonos
Advertisement

Blogs Recomendados

Alto Hama
Pululu
Malambas

Legado Português

Portugal no Mundo
Brasil 500 anos

Empresas Destaque

Horas Lusófonas

Advertisement

"Fausto Num Episódio da Mosca no Verão"

PDF Imprimir e-mail
Eu sou a mosca, a nogenta mosca
Todo o lugar sujo, busco, sobrevôo
Meu alimento - tudo que enjoa, é nojo
Eu sou a mosca que tudo cheira, gosta

Meus filhos têm, sim, a côr do meu sangue
Os deixo com o lixo mais rico e imundo
Quanto mais podre, mais fértil, fecundo
Mais comem e vivem, têm a sorte grande

Sou até o pai do comer sem fome
Como o que vejo, tudo beijo e lambo
Por onde passo, até do mais limpo manjo
Sou o prazer que tudo devora e come

Sou a alma de tudo que é vil e nogento
Do vício ao desejo ou prazer mais sujo
Consigo tudo pela moléstia e o abuso
A carne me chama, só em carne penso

Eu sou a mosca, nasci do saltão
Sou o pensamento que no lixo mora
Transformo o próximo com desprezo em fossa
Na minha imundice sufoca a razão

Na guerra sou eu o mais forte e valente
Medalhas? Tenho-as, sou sim general
Todo o mundo me faz continência, mal
na cabeça de alguém passe até sómente

Na juventude mais na côr de pûs
Que faz de Hitler seu modêlo de mim
Vive o meu sonho, são meus filhos, sim!
Na porcaria mais porca os depûz

Eu sou a mosca, poeta traduz
Para o mundo todo, o que ao ouvido zumbo
Que eu sou o anjo do sujo e do imundo
A noite inteira deixa acesa a luz

Vem daí Fausto, comigo com gôsto
Que eu te dou asas como as minhas, de renda
Para te ergueres, e escreveres num poema
Sobre o meu reino de fartura e gôzo

Vem por estes países onde é puro o orgulho
No tenir do dinheiro, não tenhas não dúvida
Onde ele estiver, está a coisa mais pútrida
A gente mais fina se lho vende ao avulso

Tanto visito o forte como visito o fraco
Tenho a liberdade mais livre que existe
Uma mosca nunca se satisfaz ou desiste
Não há nada não que me tenha farto

Onde houver o homem, Fausto, escuta agora
Há uma riqueza em mau cheiro e em doçura
Eu fui feito à imagem dessa criatura
Fausto, até o bem só o mal o comprova

"Tu és sim a mosca, a maldita mosca
Que me não deixas não no Verão dormir
No teu vôo constante, eterno zumbir
Eu Fausto, me afasto, Deus, minha alma implora!"
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
Advertisement

Comunicados

António Marinho e Pinto - Mudar Portugal

Ler mais...

Broa de Avintes - não tem asas nem sabe voar

Ler mais...
 
| cheap car hire portugal