"CAMINHADA" |
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Sou da noite peregrino, Caminho só, sem destino, Não tenho onde morar... Caminho ao longo da estrada, Em busca da madrugada, Que me traga a alvorada Que há muito, em vão, persigo, E não consigo encontrar!... Levo por manto, o tormento; Por bordão, meu sofrimento; No bornal, meu pensamento, Qu'eu solto e deixo correr, Qual cavalo puro sangue, De crinas soltas, ao vento, Correndo p'la pradaria Numa louca correria Que não consigo deter... E quando o dia acontece E a manhã, enfim, floresce, Lá longe, atrás da montanha, Minha alegria é tamanha Qu'eu quedo-me para ver: Tanta e tão grande beleza, Que só mesmo a natureza Me poderia oferecer... As searas ondeando, Trigos loiros, sasonados De papoilas salpicados, De um vermelho rutilante, São pinceladas vibrantes De um quadro feito: Matisse; Escuto a brisa que passa Em seu estranho rumor, Como se de Orfeu se tratasse Cantando a Euridisse As suas trovas de amor. E na berma do caminho, Lírios roxos, macerados, São sofrimentos passados Por outros pés já pisados... O ar cheira a rosmaninho, A jasmim, a alfazema... A vida é todo um poema
Que me apetece viver!
Maria Teresa Marques, Macau email: Este endereo de e-mail est protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript ter de estar activado para que possa visualizar o endereo de e-mail |
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