"FARMACOTERAPIA DE VOCÊ" |
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Você é o diazepan, me traz a calma. Quando estou triste, faz-se imipramina, antidepressivo que a dor espalma. Haldol, se a louca paranóia chega e alucina. Na tosse- pretexto ao silêncio- minha codeína sedante. Ardendo em febre, ingiro o tylenol moderador, transformando o exagêro do corpo escaldante em um suave aconchego; de minha pele quente seu explendor. Nos fastios de amor sorvo boa dose de cobalamina a estimular o instinto enfraquecido. Resfriado, anósmico, são as gotas de privina que resgata um cheiro de canela conhecido. Vindo a insânia da insônia roubar minhas energias; duas colheres das de sopa com polivitamina são suficientes na transmutação de "velhas posições" -estrategias... Para trazer um sono cansado de sonhos indecentes. O mundo gira, tudo em nós é hábito, é vício. Ketamina no vinho, música no ar, ritual da taça. Mistura com atropina envenena, provoca artifícios: Taquicardiza, ruboriza, o tempo urge...a vida passa. O cabelo embranquece nossa sensualidade. Oxygen para travar a canescência. Nootropil para não obstruir o desejo e a maldade infiltrada na teratologia de nossa concuspicência. Já nos preocupa o exagero, a despesa na farmácia. Ficou onerosa a manutenção do desempenho: Chá de alho, catuaba, placebo...tudo falácia! Iatrogenia a resgatar forças que já não tenho! Aguardo sempre um antibiótico de você, mas quando vencido. Acaso a taquifilaxia permita a impotência da rotina, não exagere a posologia do viagra conhecido. Não deixe a frustração convulsionar-me em sua estricnina...
Amaury da Silva Rego, Rio de Janeiro, Brasil
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