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"AMBIÇÃO (Para Álvaro de Campos)"

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Sou cerebral e sozinho.
A Ambição minha, que é única,
É a epifania contida
Em cada momento frio.
Primaz é o sentir que fica
Em nós da coisa vivida:

Podemo-la em moda impor,
E este refaz o sentir,
Que é variado, de acordo
Com a'lma que'stá em torpor
Posto que sou almas, sim!
Almas que em mim me recordo

Em todos um lago morto
Havemos de ter, que em nós
Nos entristece bastante.
Mas se por nós é bem posto
Ledo sol, os arrebóis
D'ouro hão de no semblante

Frio esplender quente o rosto
Da feliz inconsciência.
Pois pensar é desgosto;
E quero bem a existência
Minha livre do pensar,
E sentir na pele o ar

Que como vento balança
O ninho. E que só me baste
Dele esta rica lembrança -
Que todo o pensar se afaste...
Se então quiseres assim,
Certo é que terás a mim.
 
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