RETROCESSO |
|
|
|
|
Quão fútil és humanidade
Tão mal empregas teu dom de racional
Tirana, egoísta ,maldosa, brutal
A inveja à disputa com a vaidade
A ganância de garras afiadas
Descansa a fronte nos seios da luxuria
Seus beiços, escorrendo babas
destiladas
Nos alambiques da miséria e da incúria
Mulheres nuas desvariam políticos bem
vestidos
Estoiram bombas escandalosas,
revelam-se segredos
Alvas carecas senis e desdentados
Rematam em leilão, a honra dos
estados.
Em recepções, festanças, em banquetes
Dão-se fraternais abraços venenosos.
Alargando as bochechas em sorrisos
Falam de paz em miados talentosos.
Enchendo seus ventres asquerosos
Assinam pactos, exaltam alianças,
Prometem vastos mundos de abastanças
Alimentam ódios, semeiam esperanças,
Ordenam sem rebuço vãs matanças,
Bebem sangue quente em belas taças
Comem carne humana em pratos de
oiro...
Escarnecem povos, credos raças.
Aves de mau agoiro,
Que lá do seu poleiro
Fomentam ou sufocam revoluções
Por sadismo, ambição, dinheiro.
Erguem ou destroçam as nações
Levando guerra e morte ao mundo
inteiro
Indiferentes, esfrangalham corações.
Óh! Humanidade decadente
Tuas chagas e feridas são eternas
Só tornarás um dia a ser decente,
Se voltares novamente p'ras cavernas...
Guta Santos - 1964
Acrescentar como Favorito (307) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 3618
Só utilizadores registados podem escrever comentários. |
||||
| < Artigo anterior | Artigo seguinte > |
|---|







