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PeL - Está numa posição
priveligiada, vivendo a meio tempo entre o Brasil e os Estados Unidos
para falar sobre a importância da nossa língua e da nossa literatura
desse lado do Atlântico. Ouve-se? Fala-se? Lê-se?
Edmar - Na verdade se fala muito da
Literatura Luso-Brasileira aqui em terras "yankees", porém os
americanos gostam mesmo é da Literatura comercial, que é fácil de
mastigar e digerir. Nossos literatos são muito profundos e intelectuais
para a cultura plástica dos Estados Unidos. Alguns americanos
interessados na verdadeira Literatura e, também curiosos em ler os
trabalhos de outros países, geralmente compram nossos autores
traduzidos para a língua Americana.
PeL - Já ouviu falar de um programa de música (e letras claro)
chamado Atlântico lançado pela Eugénia Melo e Castro e que reune em
cada edição um artista brasileiro e um português, um deles tem a Gal
Costa e o Luís Represas, por exemplo? Não acha estranho que não tenha
havido produções do género anteriormente?
Edmar - Sim, na verdade acho muito
estranho que não façam mais programas deste gênero, pois acredito que a
união faz a força, e se o Brasil e Portugal se juntarem econômica e
culturalmente, poderemos nos tornar um poder cultural e econômico no
mundo de hoje. Acho o progama uma excelente idéia, e meu sonho seria
participar de um programa como este e debater juntamente com meu colega
português, os anseios e buscas da nossa comunidade lusófona no mundo de
hoje. Quem sabe um dia me convidam para participar!
PeL - Como foi o Nobel sentido no Brasil? E nos EUA?
Edmar - No Brasil foi aceito muito bem e
todos brasileiros ficaram muito honrados e orgulhosos de saber que o
Sr. José Saramago foi laureado com o maior prêmio de Literatura do
mundo. Afinal temos que estar orgulhosos, pois falamos também a língua
do nosso poeta maior, Camões. Nos Estados Unidos comentaram muito,
porém os cubanos-americanos o criticaram, porque conhecem as idéias
socialistas de Saramago. Todos os jornais americanos escreveram e
comentaram sobre José Saramago como o primeiro autor de língua
portuguesa a receber a condecoração maior do mundo literário de hoje.
PeL - Acredita na possibilidade de manutenção do espaço lusófono? Preocupa-o?
Edmar - Acredito profundamente, e nós
todos que falamos a língua portuguesa, temos que lutar com todas as
nossas forças, para que este espaço continue ativo e crescendo a cada
dia mais. Não podemos nunca deixar que nossa voz lusófona se cale. Dê
uma lida no meu poema "Palavras" publicado no meu terceiro trabalho
literário "Sentimentos e Paixões", e verão como o poder da palavra e da
comunicação é importante no mundo moderno de hoje. Às vezes me
preocupa, porque precisamos mais união em relação a nossa cultura e
deixarmos de ser egoistas e individualistas, só assim conseguiremos
manter esta chama viva e sempre queimando.
PeL - Prefere escrever poesia, romance, ensaio, artigos jornalísticos, traduções ou cartas?
Edmar - Gosto de escrever tudo, Literatura
para mim é essencial e sem escrever acho que não viveria. Escrever é um
dom e nasci com esse dom maravilhoso. Agradeço ao nosso Ser Supremo
pelo presente maravilhoso que Ele me deu. Através dos meus escritos,
tento cativar e locupletar de forma assaz nem que seja um pouquinho,
todo aquele que ler essas minhas emoções expressadas em palavras.
PeL - Porque é tão romântico? Acha que essa característica tem a ver com o nosso espaço lusófono?
Edmar - Qual o ser humano que não é
romântico nem que seja um pouquinho? Como escritor e poeta tenho que
mostrar meu lado romântico cheio de sentimentos e paixões, no entanto
meu romantismo é profundo e muitas vezes espiritual, pois odeio o
romantismo ordinário que acerca o mundo de hoje. Como podem sentir nos
meus escritos, sou também muito místico, espiritualista, ativista e
rebelde. Na verdade adoro mostrar este meu lado tragicamente romântico,
talvez está no meu sangue português, porque acho que os poetas
portugueses são essencialmente românticos, e a própria língua
portuguesa é muito romântica, musical e poética. Camões o nosso poeta
maior, mostra em seus versos clássicos todo o seu romantismo,
sentimentos e paixões pela nossa cultura lusófona e pelo povo
português. Na verdade nós brasileiros e portugueses e outros do mundo
lusófono, somos todos portugueses, e Camões foi e sempre será nosso
maior poeta.
PeL - Como faz para ter tempo para tudo o que faz? Método? Determinação? Escreve todos os dias?
Edmar - Método e determinação, no entanto
gosto de agarrar com unhas e dentes todo o tempo disponível, e tentar
criar alguma coisa nova. Gostaria muito de poder escrever todos os
dias, no entanto às vezes não tenho tempo, pois tenho que ganhar o pão
de cada dia. Na verdade adoro escrever quando estou mergulhado dentro
de mim e do universo que me rodeia, e deixar que meus textos e poemas
nasçam naturalmente, pois odeio escrever uma coisa forçada, acho que
tudo deve vir de dentro e de forma espontânea.
PeL - Quais são os ambientes que mais o inspiram a escrever?
Edmar - Vários ambientes! Às vezes a
solidão do meu quarto, dentro do avião, no carro, no parque, na beira
de um rio, na floresta etc. O importante é que a inspiração venha e
chegue com força total. Na verdade todo escritor e poeta tem um lado
alegre muito forte e um outro lado triste muito poderoso, e quando
esses dois lados se abraçam, as melhores inspirações nascem
espontaneamente.
E viva o mundo lusófono! Um abraço para todos aqueles que lerem esta minha entrevista, e muito
obrigado por lerem meus trabalhos literários.
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