"MAIÊUTICA"

Desculpem-me,
sou poeta.
Nada mais que isto.
Perdoem-me,
se incomoda o canto

Só almejo a liberdade
de poder cantar.
Não me torturem
por continuar criança
e viver vivendo.

Já estou cheio de cicatrizes,
mas perdão, mil vezes perdão
se nelas sempre brotam flores.

A mochila é pesada,
mas sei carregá-la sem incômodo.
A lógica não entende...

Deixem-me prosseguir:
Sou todo inofensividade.
Nada quero. Nada deixo.

Não me maltratem,
por não saber responder.
Por não saber revidar

Se incomodo; se preciso partir,
dêem-me a cicuta. É mais amena.
Como último desejo, peço um epitáfio:

"Q U E S T I O N E M O S"

Amaury da Silva Rego - Rio de Janeiro, Brasil - 02/01/81
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