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CABINDA NÃO É ANGOLA PARTE VI

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GOVERNADOR GERAL DE ANGOLA E DE CABINDA...


Nascemos há ¾ de século e quando tomamos consciência do que era Angola, na nossa adolescência, soubemos que era ANGOLA e CABINDA, da qual nosso pai, um velho coronel-médico - Francisco Venâncio da Silva, indo-português de Goa - foi Delegado de Saúde na década de 40. O nosso querido amigo e colega par na Assembléia Legislativa do Estado de Angola, distinto e renomado jornalista FERNANDO CRUZ GOMES ANTUNES, correspondente da Agência LUSA e apresentador de um programa em língua portuguesa na Televisão Canadense, foi um dos solicitados por nós para que emitissem parecer sobre este polêmico texto antes da sua publicação em forma acabada. E em 05 de Novembro de 2000, às 23.37, de Toronto-Canadá, onde vive e trabalha como jornalista, ele nos enviou um e-mail que, na parte que interessa, diz o seguinte:

*" Cabinda! Concordo consigo em quase tudo. Atenção que eu ainda me lembro de o Governador Geral se chamar DE ANGOLA...E DE CABINDA. O que parece dar a entender que os próprios Poderes, em Portugal, lá por 58 ou 59, sabiam que Cabinda não é Angola." Para bom entendedor, chega. Ou será que os suportes dos órgãos do Governo Socialista Português, da Assembléia da República Portuguesa com seu presidente tão saudoso de seu finado amigo Samora Machel, que lhe poupou os teres e os haveres lá em Moçambique, do Itamaraty brasileiro, do Kremlin moscovita, da alta magistratura "angolana" e do "State Department" dos EUA duvidam também que tivesse havido um "rei de Portugal e dos...Algarves" até à implantação da República Portuguesa em 05 de Outubro de 1910?...

Também o distinto Professor da Universidade Católica Portuguesa Doutor MENDO CASTRO HENRIQUES, Secretário da Comissão das Comunidades Lusófonas da veneranda SOCIEDADE DE GEOGRAFIA DE LISBOA, em seu e-mail de 05 de Novembro de 2000, expedido às 09:05 desse domingo, em referência a este texto escreveu o seguinte parecer:

*"Felicito-o pelo trabalho de busca e reposição da verdade segundo a síntese brilhante de Talese e de Johnston que aprendi nas suas linhas agora enviadas. Em 1985 conheci em Lisboa um dos Príncipes Puna bem como a luta em nome do Tratado de Simulambuco. E o presente 125º aniversário da Sociedade de Geografia de Lisboa na qual ocupo o cargo de Secretário da Comissão das Comunidades Lusófonas, é ocasião favorável de africanologia séria, escorreita e imparcial porque nesse continente tragicamente assolado a verdade é crucial para preparar as terapias que ele carece. Ocorre-me perguntar-lhe como vê as linhas gerais da autonomia dos Estados africanos."

Em e-mail diz o ilustre representante geral da UNITA em Portugal Dr. Carlos Morgado:

" Não chega dizer que se gosta de Angola ou que se a tem no coração. É preciso lutar por ele e construir o seu futuro. Por isso o nosso elogio a um Mais Velho, que não poupa esforços e dá o seu melhor para concretizar esse objectivo quando muitos novos ficam apenas pelas palavras.
Quanto ao Dr. Pinheiro da Silva, conheci-o há muitos anos atrás, pois foi padrinho de casamento de uma tia minha. É um homem de muito valor, que muito respeito. Ele também se engajou bastante pelo caso de Cabinda. Quanto ao estatuto de Cabinda, todas as idéias são válidas no sentido de melhor formularmos no futuro a sua ligação com Angola, para que todos possam beneficiar no futuro da paz e da real concretizaçãoda aspiração de todos os povos de Angola,.
Como sempre nos diz o Presidente Dr. Savimbi, os grandes rios são, nas suas origens, pequenos fios de água. Hoje, os nossos pequenos fios de água irão engrossando e certamente que um dia mudaremos essa relação de cumplicidade na guerra e no genocídio dos angolanos, que o governo do Brasil tem com o futunguista Eduardo dos Santos.
"

Em e-mail de 02/11/2000 escreveu também o Dr.Carlos Morgado, interpretando o pensamento da cúpula da UNITA:

"Na questão de Cabinda, é algo que já vem de 75 e faz parte daquilo que o Presidente Dr. Savimbi sempre defendeu. Cabinda tem uma especificidade própria, que advém da sua História e não vale a pena negar. Seria importante que permanecesse com Angola, num quadro negocial honesto e onde todos pudessem escutar e procurar as melhores soluções. O que nunca aceitaríamos é fazer a guerra em Cabinda para ficar com o Petróleo, afogando os legítimos desejos dessa população. Veremos o que o futuro nos dirá. Por isso temos mantido uma boa relação com as várias facções da FLEC e outros movimentos internos ligados à Igreja Católica, pois eles melhor poderão traduzir as aspirações de Cabinda e assim encontramos uma solução em conjunto.
Agradecemos o vosso artigo sobre Cabinda, excelente e bem documentado como já é habitual, assim como o Tratado de Simulambuco que nos enviou. Os nossos agradecimentos.
Gratos também pela sugestão relativa à africanologia e à questão das hipóteses futuras de encarar Angola como um espaço que sirva todos os que se sentem Angolanos.
Parabéns pelo excelente artigo sobre o Reino do Congo. Seria importante que conseguisse a publicação desses trabalhos para a nossa História que muitos Angolanos e Portugueses deveriam conhecer para assim melhor falarem sobre Angola.
"

- Também o porta-voz da UNITA, Dr Joffre Justino, da Comissão de Justiça, Paz e Reconciliação em Angola , acentuando de novo os propósitos de diálogo com intervenção da sociedade civil, das igrejas, partidos políticos e imprensa independente como mediadores, em relação a Cabinda, com sua especificidade histórica mas também se referindo a outras regiões que no território de Angola apresentam situações que recomendam soluções pelas quais se contemplem as diferenças existentes e as aspirações dos povos, manifestou a mesma linha de pensamento emanada do Presidente Dr. Jonas Malheiro Savimbi e do órgão mais alto do Partido - defendendo a fraternidade e a unidade na diversidade.

VÁRIAS "ANGOLAS"...UMA SÓ CABINDA, QUE SÓZINHA CORRERIA PERIGO DE ANEXAÇÃO PELOS DOIS VIZINHOS CONTÍGUOS...


- Sempre defendemos a solução federalista para os territórios da ex-colônia portuguesa, que, na verdade, não é mesmo..."ANGOLA". Temos ali várias..."ANGOLAS" e uma só "CABINDA". Carlos Pacheco evidencia isso, quando escreve: "O conflito vem de longe, é secular e radica na própria geografia social, étnica e cultural de Angola. No século passado, e mesmo antes, foram permanentes os conflitos, de natureza militar, entre o litoral e o que se convencionou chamar "os povos do sertão". A Coroa portuguesa em vão tentou, até a Conferência de Berlim, em 1885, subjugar e avassalar todos esses povos e só alguns,próximos da raia litorânea, se submeteram. Nessas acções militares contra o interior, houve um produto da sociedade híbrida que se plasmou no litoral, resultante do contacto de europeus e indígenas e cujas peculiaridades, do ponto de vista etnocultural, se podem observar ainda hoje em muitos comportamentos, hábitos e atitudes mentais. Esse segmento, constituído por filhos do país, angolanos, em suma- brancos, negros e mulatos -, desde sempre se polarizou no papel de classe intermédia no contacto dos portugueses com o sertão. Foram eles que, em regime de monopólio exploraram os caminhos de entrada e saída do sertão; e concentraram nas suas mãos, pelo menos até meados do século XIX, uma parcela significativa do comércio atlântico com o interior, sendo famosas algumas empresas suas cujo tráfico se fazia privilegiadamente com o Brasil, Montevidéu, Argentina e América Setentrional. Mas esses crioulos não controlavam unicamente as redes de comércio. A sua influência e poder nos escalões superiores da administração pública era indiscutível; como o era também nas forças militares de 1ª e 1ª linhas, onde o seu ascendente numérico foi uma constante até ao 4 º decênio de oitocentos. Eram eles que, maioritariamente, governavam os presídios do interior. Porém, os abusos de autoridade e extorsões praticados contra as populações foram tantos, que um ou outro governador mais consciencioso não deixou de os denunciar para Lisboa.À falta, portanto, de tropa européia, foram esses crioulos -no comando sobretudo dos corpos de infantaria - que levaram a guerra ao interior contra os "gentios", com vista a pacificá-los. Há uma expressão muito curiosa de um governador geral de Angola - Pedro Alexandrino da Cunha (1845-1848) - que, numa informação para Portugal, disse mais ou menos isto: "se alguma vez os gentios nos cortarem as fontes de abastecimento, morremos à fome; se avançarem para o litoral, seremos jogados ao mar.". Deste modo, Luanda, Benguela, Novo Redondo e Moçâmedes até ao 2 º decênio deste século passaram por ser núcleos centrais de controlo e irradiação de toda a dinãmica colonial. Foi lá, nesse pedaço litorâneo, razoavelmente habitado por gente cosmopolita, que a influência da colonização se tornou decisiva e duradoura até 1974; de lá se guerrearam os povos do interior e contra esse universo costeiro em expansão se criaram nas profundezas do sertão, feridas e antagonismos que perduram até aos tempos actuais."
Para não ocupar muito espaço temos eliminado os parágrafos do autor que estamos transcrevendo parcialmente. E a seguir ele destaca que, como repetiremos adiante, "O MPLA é, justamente, a emanação cultural directa desta implantação duradoura de Portugal na geografia litorânea de Angola" o que constitui corolário, já não nos reportando ao dito historiador, de que a "guerra sistemática" que há anos vem sendo mantida contra a UNITA, representada por gente do "sertão" radica nesta pretensão de domínio dos "mplaístas" que nada mais são, afinal, do que filhotes do ex-colonizador em todos os aspectos...E, parafraseando o lúcido historiógrafo angolano que estamos seguindo nesta parte do nosso trabalho, diremos:""Por conseqüência, o que temos em Angola é o somatório de todos esses conflitos, opondo o litoral ao interior. Hoje, como no passado, ódio profundo e reservado das periferias face ao litoral luandense - e ao que este litoral simboliza de poder hegemônico e autoritário - é crescente.".

UM APELO A UM GRANDE ESTADISTA BRASILEIRO, DIGNO, PROBO, PREPARADO E HONRADO QUE NÃO MERECE SER ENVOLVIDO EM CAUSA INJUSTA: QUE SUA EXª VEJA E JULGUE POR SI MESMO!


- Sr. Presidente Fernando Henrique Cardoso, do BRASIL: Mais de 50% dos cidadãos brasileiros têm ascendência africana e sobretudo angolana, mas não da gente litorânea que está na origem do MPLA. Este detém e autocraticamente monopoliza o Poder. Afinal, é a UNITA, é Savimbi e os outros que pertencem ao interior, ao desprezado "sertão" angolano e cabindense, quem tem laços fraternos autênticos com essa importante parte da nação brasileira. E V. Exa está, talvez por seu MRE ignorar a verdadeira história angolana, apoiando e dando força a quem, anti-democraticamente, tiraniza esses povos angolanos do interior, dos quais foram, no passado, "extraídos" pelo costume ou pela guerra, os ancestrais dos afrobrasileiros e seus descendentes. Quem o demonstra, irrefutavelmente, não é um historiador suspeito ou da UNITA: É um angolano, historiador famoso, do MPLA, que está em Luanda.

- Não será de rever, enquanto ainda é tempo, essa política que inspira animadversão aos angolanos do interior (a maioria) e aos cabindenses subjugados e traídos também pela Revolução de 25 de Abril, política essa que constitui uma preferência errática do mal informado Itamaraty? Não se orientem por "alfas", "betas" e... "gamas" ignorantes da história colonial, nem se "guterrizem" por "idéias interesseiras" de demagogoss "socialistas burgueses" da ocidental praia lusitana que...de "socialistas" somente "utilizam" o "nome"!!! O embaixador Joayerton Martins Cahú, amigo do autor deste texto, sabe quanto apoiamos o BRASIL no passado a ponto de, em determinada altura, termos sido demitido do alto cargo que exercíamos na área da Informação Pública de Angola, por essa razão, pelo ministro das colônias Joaquim Moreira da Silva Cunha que desconfiava dos brasileiros mas veio aqui buscar "asilo" depois de ter sido preso pelos "capitães de Abril" e internado temporariamente no presídio de Caxias. O Dr. Cahú, ao que parece já aposentado, esse sim, se ainda estivesse ao serviço, poderia ser muito útil ao Governo Federal: Foi Cônsul Geral em Luanda durante muitos anos e Embaixador na Guiné-Bissau. Conhece Angola muito bem e melhor ainda a sua gente. Um diplomata de altíssimo gabarito, impecável, inteligentíssimo e de excepcional cultura, que soube honrar e prestigiar o BRASIL no exterior..

- ANGOLA (s) - a (s) verdadeira (s) - e CABINDA (até pelos salazaristas tratada em "separado" porque o ex-padre ditador Antonio de Oliveira Salazar era um Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e não um simples engenheiro de "obras prontas" sem formação jurídico-política) estão em mãos de "híbridos", não de "angolanos" e cabindenses.

- SANÇÕES? Sim, mas...contra o governo ilegal do MPLA e seu "proprietário"sr. José Eduardo dos Santos que, tal como Agostinho Neto, que adquiriu, antes de falecer, uma grande propriedade rural no Alto Minho, uma bela gleba viti-vinícola (era grande apreciador e consumidor de bom vinho verde tinto) com uma guarda pretoriana angolana, sita nas proximidades de Viana do Castelo, Minho, donde sua mulher branca, Maria Eugênia, portuguesa e branca ( ele próprio era "pardo" escuro, bisneto de português, e não banto puro, donde o seu poema MINHA AVÓ NEGRA) é natural, representa "emanação cultural directa desta implantação duradoura de Portugal na geografia litorânea de Angola."

- Lendo René Dumont in L´Afrique Noire est mal partie ( Éditions DU SEUIL, Paris, 1962, 288 páginas), compreende-se por que as "independências" na África Negra não têm funcionado, quer por culpa da política idiota e de manifesta ignorância, em termos de africanologia, dos ex-colonizadores que retalharam grupos tribais arbitrariamente, quer por incapacidade e também por falta de preparação e de conhecimento histórico, das chamadas "elites" autóctones ( em sua maioria Negros ou Mulatos descaracterizados, litorâneos, "calcinhas" de mente europeizada, sovietizada ou americanizada) dos povos descolonizados.(?!)

MPLA e UNITA: não se entendem, porquê? ("EXPRESSO" -Opinião-.Lisboa 31/07/99)


- Remetemos os nossos leitores internautas para um magnífico artigo escrito pelo já mencionado historiógrafo angolano (como nós também somos), a quem não temos, e provavelmente jamais teremos, o privilégio de conhecer [pesam sobre a nossa carcaça 75 duros invernos austrais; logo, nossa esperança de vida é muito curta; além disso, somos pobre. Professor universitário aposentado no Brasil - ignoramos se também em Portugal é assim - tem uma pensão da Previdência Social mais do que ridícula, pois o teto dos benefícios previdenciários é de 10 salários...referência (menos que o mínimo), sendo o salário mínimo de cerca de US $75 dls- e nossa pensão, vamos a um desabafo, nem atinge Us $ 450 dls !!! neste país ( tal como Angola, crivado por grandes desigualdades regionais, étnicas e culturais, mas pomposamente mantido com sua dimensão quase continental pelo seu insensato colonizador]- não pode fazer vida de rico (de globe-trotter...). Apesar de tudo isso, sempre o Brasil, sofredor e de gente em sua maior parte acolhedora, nos encantou, mesmo com toda a corrupção (igualmente existente entre os preconceituosos portugueses, os xenófobos militantes do MPLA e da FNLA, os arrogantes franceses, os altivos ingleses, os pretensiosos ianques, os autoritários alemães, os ambiciosos czares da nova Rússia e os agressivos e grosseiros espanhóis, além de outros) e violência nele constatados. Seu nome: CARLOS PACHECO. Historiador angolano, autor do livro "MPLA : Um Nascimento Polêmico (as falsificações da história)" que ainda não lemos, infelizmente. O referido articulista publicou, como consta em epígrafe, o seu artigo "MPLA e UNITA: não se entendem, porquê?"na secção OPINIÃO do importante jornal português EXPRESSO, edição de 21/07/1999, que nos foi gentilmente enviado pelo nosso ilustre Amigo sr. Prof. Doutor Mendo Castro Henriques, da Universidade Católica Portuguesa e Secretário da Comissão das Comunidades Lusófonas da veneranda Sociedade de Geografia de Lisboa, felicitando-nos em e-mail "pelo trabalho de busca e reposição da verdade sobre Cabinda e Angola" e acolhendo nossa sugestão para que se crie um novo ramo do saber científico sob a denominação AFRICANOLOGIA (apesar de o topônimo ÁFRICA não ser de inspiração Banto como veremos mais tarde, em outro trabalho, pois provém de Afrigah ou Afrikigah, termo aplicado, na Antigüidade, à região onde se encontra Túnis e que foi berço de Cartago, ali tendo sido criada pelos romanos uma província que eles denominaram ÁFRICA).

- Em síntese, Pacheco aponta os erros do colonizador e do colonizado, destaca as grandes diversidades regionais e, por conseguinte, considera que a solução para o magno problema da guerra interminável naquela região da África Austral, incluída nela o chamado "Enclave" de CABINDA, será a aceitação de um novo modelo de Estado, convocando-se para o efeito todos os partidos sem excepção, todos os intelectuais, empresários e políticos independentes, assim como as associações cívicas e as igrejas em geral, para uma ampla discussão de que saiam propostas mediantes as quais se encontrem alternativas e saídas para a crise nacional".


- Em nossa opinião, é mister afastar desde já Portugal, os Estados Unidos da América e a Rússia, essa troika comprometida que não mais inspira confiança porque representa interesses infra-vermelhos, escusos, que vêm de longa data...Também a ONU, desinformada e manipulada pelos que têm assento no chamado Conselho de Segurança, uma espécie de super-estrutura aristocrática, não inspira crédito: já fracassou, apenas servindo, e mal, para policiar os ex-colonizados (dèbilmente) com seus "capacetes azuis" fornecidos por alguns estados-membros... mas sempre se lamuriando de "calotes" como o da Rússia, entre outros menos pesados.

- Tal como sempre defendemos, até quando o semanário NOTÍCIA, de Luanda, nos entrevistou em 04 de Maio de 1974, em sua página OPINIÃO, onde equacionamos a idéia de se constituir uma Federação, sublinhando a não existência de uma "ANGOLA" mas sim, de várias "ANGOLAS". Declaramos nessa entrevista: "Fui um dos primeiros, em Angola, a ler o livro do General Spínola "Portugal e o Futuro". Sinceramente, gostei. Nada vejo na obra que possa ser considerado como subversivo ou destrutivo da nossa unidade nacional. Quanto a mim, as teses desenvolvidas poderão constituir uma solução, por fases, para o grave problema português, quer a nível interno quer internacional. Por outro lado, elas vêm perfeitamente ao encontro dos nossos problemas em Angola (e, naturalmente, de Moçambique e da Guiné). Aliás, eu sempre defendi publicamente o princípio da Federação, pois, em meu entender, ele não é absolutamente contrário ao princípio de um Portugal Pluricontinental e Multirracial." Afinal, as Comunidades Lusófonas, diremos hoje mais...à-vontade, nada mais são do que essa tal pluricontinentalidade e multirracialidade a que sempre preferimos a fórmula "arracialidade" (ausência de preconceito ou diferenciação étnica,etc.., etc...).

- No entanto, na mesma altura, em entrevista, de primeira página, ao SUNDAY TIMES, da importante cadeia britânica ARGUS, manifestamos nossa descrença na paz e no sucesso da independência em Angola, a nossa convicção de que o país iria, a curto prazo, caír na esfera de influência soviética, dos comunistas, e o nosso receio de que os portugueses nos abandonassem (como de fato aconteceu). O tempo demonstrou que estávamos com razão.

Carlos Pacheco escreve a determinado passo do seu excelente artigo, depois de salientar que o MPLA é "emanação cultural directa desta implantação duradoura de Portugal na geografia litorânea de Angola" que "os seus fundadores, assim como os dirigentes civis e militares mais proeminentes, todos carregam a marca indelével da colonização, quais filhos dilectos da lusitanidade" fazendo "lembrar o retrato do colonizador". Diz Carlos Pacheco que vezes sem conta, ouviu figuras da "nomenklatura" do MPLA citarem os adversários como gentios, dizendo arrogantemente: "Não têm alternativa; quer queiram quer não estão condenados a ser governados por nós."

- Observa o mesmo articulista do "EXPRESSO" que os outros grupos - FNLA e UNITA - "nasceram ou tiveram suporte sociológico e cultural em espaços situados fora da influência tradicional da colonização portuguesa." Assim se compreende a preferência descarada do governo socialista português e dos comunistas pelo MPLA e José Eduardo dos Santos, que fingindo-se agastados sempre acabam por preferir Lisboa a qualquer outra metrópole européia ou americana e têm sempre grandes interesses econômicos em...Portugal. Indiretamente a tal preocupação com a fraternidade lusófona, se da parte dos Portais da Internet e do homem comum português, brasileiro ou ultramarino doutras paragens, é sincera e desinteressada, jáo mesmo não se pode dizer dos "bomo politicus lusitanensis" ou "basilensis"...Cautela gente: quando vires um político salafrário e uma "nhoka" venenosa, mata o político e deixa em paz a cascavel...

- Carlos Pacheco não poupa o governo de JES, salientando que o actual modelo de Estado em Angola "é obsoleto e não responde à diversidade dos interesses em presença, que são os interesses das elites regionais." Aliás, parece que a nivel da região autônoma do arquippélago de Madeira e Porto Santo o mesmo se passa, a tal ponto que o presidente Alberto João Jardim já levanta a bandeira da federalização...Nos Açores, e também na Ilha da Madeira, há anos, surgiram "embriões" de movimentos de libertação... E por que não? Têm o mesmo direito e estão na mesma situação que os caboverdianos, os são-tomenses e os timorenses!

- Reparem nesta passagem do artigo de Pacheco:

- "A crise é, sobretudo, de natureza institucional e decorre, fundamentalmente, da irresponsabilidade do Governo central que, com as suas políticas arbitrárias, jamais se preocupou em corrigir as mazelas da colonização, em especial os desequilíbrios econômicos, sociais, étnicos e culturais - que existem entre as várias regiões do país, hoje extarordinariamente agravados."

- Recomendando a quem nos lê que abra "ECMNÉSIA HISTÓRICA COLONIAL" e leia nossos artigos sobre este tema em www.portugal-linha.pt em que já dizíamos o mesmo que Carlos Pacheco, achamos necessário solicitar a vossa atenção para a posição anti-ética do, mais tarde, presidente angolano Agostinho Neto quando instou ao presidente zambiano Kaunda para que "proibisse Savimbi de usar o país como placa giratória" e o expulsasse, tentando por fim matar o seu rival! E mais adiante, Pacheco escreve:" Em Alvor em (1975), onde os manejos das grandes potências logo se fizeram sentir, Holden Roberto, da FNLA, contou-nos que Neto, numa noite, no Hotel Penina (Algarve), o procurou para lhe propor: "Holden, vamos fazer uma aliança contra o Savimbi, vamos tentar elimina-lo, ficamos só nós a governar." Posto isto, procurou também Savimbi e disse-lhe: "Vamos fazer uma aliança e eliminar a FNLA, vamos governar só nós os dois."

E Pacheco pergunta:

- QUE CONCLUSÕES PODEMOS TIRAR DE TUDO ISTO?

SEM COMENTÁRIOS. QUEM LEU ESTAS LINHAS QUE PONDERE E EMITA, EM SÃ CONSCIÊNCIA, O SEU VEREDICTO.

Carlos Mário Alexandrino da Silva
 
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